Quem é Eduardo Saverin, bilionário brasileiro que comprou participação no Liverpool
14/08/2026
(Foto: Reprodução) Eduardo Saverin, co-fundador do Facebook, comparece ao 7º Prêmio Anual de Mídia de Senso Comum em homenagem a Bill Clinton no Gotham Hall em 28 de abril de 2011 na cidade de Nova York.
Jason Kempin/Getty Images North America/Getty Images via AFP/Arquivo
O empresário brasileiro Eduardo Saverin, cofundador do Facebook, acaba de entrar para o grupo de proprietários do Liverpool. Ele integra, ao lado do fundador da Amazon, Jeff Bezos, e outros investidores, o consórcio 1892 Holdings, que comprou uma participação minoritária no clube inglês.
Saverin é atualmente o brasileiro mais rico do mundo, com uma fortuna estimada em US$ 33 bilhões (cerca de R$ R$ 173 bilhões ). Ele ocupa a 66ª posição no ranking dos mais ricos do mundo em 2026.
Relação com o futebol não é de hoje: o interesse pelo Chelsea
A relação de Eduardo Saverin com o futebol inglês começou antes de sua entrada no Liverpool. Em 2022, o brasileiro integrou o grupo liderado pelo empresário americano Steve Pagliuca que tentou comprar o Chelsea, então colocado à venda pelo russo Roman Abramovich.
Saverin e sua mulher, Elaine, estavam entre os investidores que apoiavam a proposta de Pagliuca, co-presidente da Bain Capital e coproprietário do Boston Celtics. A oferta avaliava o Chelsea em cerca de US$ 4 bilhões.
O grupo chegou a participar da disputa final pela aquisição do clube, mas não venceu. O Chelsea acabou sendo comprado por um consórcio liderado pelo empresário Todd Boehly e pela Clearlake Capital.
Mas afinal, quem é Saverin?
Nascido em São Paulo, em 1982, Saverin se mudou ainda criança para os Estados Unidos. Foi lá que conheceu Mark Zuckerberg, durante a graduação em economia na Universidade Harvard, e se tornou um dos cofundadores do Facebook, em 2004. Hoje, aos 44 anos, vive em Singapura com a esposa e o filho.
O brasileiro domina inglês e português de forma fluente, e conversa em espanhol no nível intermediário.
No início da rede social, Saverin ficou responsável pela área de negócios e fez o investimento inicial que permitiu o funcionamento da empresa, segundo o livro Milionários Acidentais, de Ben Mezrich.
Foi a participação no Facebook que deu origem à sua fortuna. Ele entrou pela primeira vez na lista de bilionários da Forbes em 2011, após a abertura de capital da empresa, que elevou o valor de sua fatia na companhia.
Saiba quem é Eduardo Saverin, o brasileiro mais rico do mundo
A participação de Saverin, porém, acabou sendo menor do que a dos demais fundadores. Ele e Zuckerberg romperam a parceria ainda nos primeiros anos da empresa, em meio a divergências sobre os rumos do negócio.
A disputa foi parar na Justiça e inspirou parte da trama do filme A Rede Social (2010), em que o brasileiro é interpretado pelo ator Andrew Garfield.
Mesmo assim, Saverin chegou a ser apontado como o brasileiro mais rico da história em 2024, quando sua fortuna foi estimada em US$ 155,9 bilhões (R$796,64 bilhões) após a forte valorização das ações da Meta, dona do Facebook, Instagram e WhatsApp.
Como Saverin foi 'varrido' do Facebook
Enquanto Saverin cuidava da área de negócios, Zuckerberg concentrava o desenvolvimento da plataforma, que crescia rapidamente. Com a expansão da empresa, surgiram divergências entre os dois sobre a condução do Facebook.
Segundo uma reportagem publicada em 2012 pelo Business Insider, Zuckerberg pretendia transferir o registro da empresa para o estado americano de Delaware, conhecido por ter uma legislação mais favorável às empresas. Ele também demonstrava insatisfação com o afastamento de Saverin das atividades do dia a dia.
Foto de Eduardo Saverin ao lado da esposa, Elaine Andriejanssen (à direita), e de Justin Trudeau (à esquerda), educador e ex-primeiro ministro do Canadá
Divulgação/Linkedin
Em uma mensagem enviada ao cofundador Dustin Moskovitz, Zuckerberg afirmou que Saverin havia falhado em suas principais responsabilidades: estruturar a empresa, captar recursos e desenvolver um modelo de negócios.
Com a relação desgastada, Zuckerberg criou, em julho de 2004, uma nova empresa em Delaware para assumir o controle do Facebook. Em poucos meses, a participação de Saverin foi diluída de 65% para menos de 10%.
O caso acabou nos tribunais.
O Facebook questionou um documento que garantiria mais ações ao brasileiro, enquanto Saverin acusou a empresa de descumprir deveres legais de transparência e lealdade entre os sócios. Anos depois, as partes chegaram a um acordo, e Saverin ficou com cerca de 5% da empresa.
Em 2012, pouco antes da abertura de capital do Facebook, o brasileiro renunciou à cidadania americana e passou a viver oficialmente em Singapura, onde mora até hoje.
Eduardo Saverin à esquerda, segurando um peixe com Johan Attby, ao seu lado (no meio da foto), sócio da Norrsken Evolve.
A carreira depois do Facebook
Depois de deixar a gestão do Facebook, Saverin passou a investir em empresas de tecnologia em estágio inicial. Em 2015, fundou a gestora B Capital ao lado de Raj Ganguly, ex-executivo da Bain Capital e do Boston Consulting Group (BCG).
Atualmente, Saverin é cofundador e copresidente da empresa, que investe em companhias de tecnologia, saúde e clima em diferentes países. Segundo a Forbes, a gestora administra mais de US$ 7 bilhões (R$ 35,77 bilhões) e mantém escritórios em cidades como São Francisco, Nova York, Los Angeles, Austin, Singapura, Hong Kong e Doha.
O cofundador do Facebook Eduardo Saverin (dir.) e Darius Cheung cofundador da BillPin e CEO cofundador da tenCube adquirida pela McAfee participam do segundo aniversário da 99.co e do lançamento da 99PRO em Cingapura em 26 de maio de 2016.
Roslan Rahman/AFP/Arquivo
Sob a liderança de Saverin, a B Capital ampliou sua atuação nos últimos anos. Em 2022, levantou US$ 250 milhões (R$ 1.277,5 bilhões) para investir em startups em estágio inicial. Em 2024, captou outros US$ 750 milhões (R$ 3.832,5 bilhões) para empresas mais consolidadas.
Já em 2026, anunciou um novo fundo de US$ 500 milhões (R$ 2.55 bilhões) voltado ao financiamento de novos negócios de tecnologia, ampliando sua presença no mercado de investimentos em inovação.